Enucleação Endoscópica da Próstata com Laser Holmium (HoLEP): Entendendo o Procedimento e a Recuperação

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A Enucleação Endoscópica da Próstata com Laser Holmium (HoLEP) representa uma das abordagens cirúrgicas mais avançadas e eficazes para o tratamento da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), que é o aumento benigno da próstata. Esta técnica tem como objetivo remover o tecido prostático obstrutivo que causa sintomas urinários incômodos, proporcionando alívio duradouro e uma recuperação funcional significativa. 

O Que É e Como Funciona?

O HoLEP é um procedimento minimamente invasivo realizado por via transuretral, o que significa que não há incisões externas (procedimento endoscópico). O cirurgião insere um ressectoscópio (um instrumento fino com câmera e fibra de laser) pela uretra até a próstata. Com visão ampliada e de alta qualidade acoplada a um monitor, o cirurgião aplica o laser para separar o “miolo” da próstata (o tecido hiperplásico) da sua cápsula externa. Ao mesmo tempo em que corta o tecido da próstata, o laser de Holmium coagula os vasos sanguíneo. Uma vez descolado, o tecido hiperplásico é empurrado para dentro da bexiga e, em seguida, um instrumento chamado morcelador é introduzido para fragmentá-lo e aspirá-lo para fora do corpo. Todo o tecido removido é enviado para análise patológica.

Figura 1. HoLEP

Uma diferença crucial entre o HoLEP e a Ressecção Transuretral da Próstata (RTU-P), popularmente conhecida como “raspagem”, reside na forma como o tecido hiperplásico é removido. Com o HoLEP, a remoção é feita de maneira precisa e controlada, descolando o tecido no limite da cápsula cirúrgica. Em contraste, a RTU-P não segue planos anatômicos definidos; a remoção do tecido hiperplásico ocorre através de raspagens que vão da uretra em direção à cápsula cirúrgica.

Figura 2. HoLEP vs RTU-P

Essa distinção torna a RTU-P menos eficiente na remoção de tecido, especialmente em próstatas com mais de 40g, o que aumenta significativamente o risco de recorrência dos sintomas ao longo da vida do paciente.

O HoLEP é eficaz para próstatas de todos os tamanhos, mas é especialmente vantajoso para próstatas entre 40-100g, quando a eficiência (remoção definitiva e completa do tecido hiperplásico) e resultados funcionais (manutenção/recuperação completa da continência urinária) são máximos. A potência sexual não é afetada. (aliás, não costuma ser afetada por qualquer técnica de tratamento cirúrgico da HPB).   

Etapas Principais da Cirurgia (Resumo)

  1. Anestesia: O paciente é submetido à anestesia geral ou raquidiana.
  2. Acesso: Um ressectoscópio é introduzido através da uretra até a bexiga e próstata.
  3. Enucleação: Utiliza-se a fibra de laser Holmium para cortar e descolar o tecido hiperplásico da próstata de sua zona periférica.
  4. Morcelação: O morcelador é introduzido na uretra e, então, o tecido enucleado é fragmentado e aspirado.
  5. Análise Patológica: O tecido retirado é enviado em sua totalidade para análise anatomopatológica.
  6. Cateter Vesical: Um cateter é colocado na bexiga para drenagem urinária e lavagem contínua.

A duração da cirurgia costuma ser de uma a duas horas, dependendo especialmente do volume da próstata.

Pós-Operatório Imediato (No Hospital)

  • Recuperação Pós-Anestésica: Após o procedimento, o paciente permanece em área de recuperação por pelo menos 4h.
  • Mobilização Precoce: A mobilização precoce é incentivada para prevenir complicações e promover a recuperação.
  • Dor: O controle da dor é realizado com analgésicos comuns. Geralmente não dói praticamente nada até a retirada da sonda, quando o paciente passa a sentir algum grau de ardência ao urinar. Essa ardência alivia ao longo de alguns dias ou semanas.
  • Cateter Vesical: Um cateter urinário permanece na bexiga para drenagem da urina e lavagem contínua com soro fisológico, geralmente por um período mais curto (1-2 dias) em comparação com outras cirurgias.
    Tempo de Internação: O período de internação hospitalar é geralmente curto, durando de 1 a 3 dias.

Pós-Operatório Tardio e Recuperação (Em Casa)

  • Retirada da Sonda: O cateter é removido após 1-2 dias, geralmente antes da alta hospitalar ou em consultório, dependendo do caso.
  • Sintomas miccionais: É comum observar sangue na urina em pequena quantidade por vários dias e sentir urgência miccional ou ardência ao urinar por algumas semanas. O fluxo urinário, por outro lado, melhora quase que imediatamente após a retirada da sonda.
  • Atividade Física e Restrições: Por 4 a 6 semanas após a cirurgia, é recomendado:
    • Beber bastante líquido (aprox. 2 litros de água por dia).
    • Evitar levantar pesos acima de 5 kg.
    • Não realizar exercícios pesados, evitar andar de bicicleta.
  • Alimentação: Manter uma dieta balanceada com ingestão de fibras para prevenir a constipação, que pode gerar esforço e aumentar o sangramento urinário.
  • Sexualidade: Usualmente ocorre ejaculação retrógrada. Isso significa que o sêmen entra na bexiga durante o orgasmo, sendo eliminado posteriormente com a urina, sem causar problemas de saúde.
  • Sinais de Alerta: Você deve procurar o médico ou retornar ao hospital imediatamente se tiver:
    • Febre.
    • Sangramento urinário intenso com coágulos.
    • Retenção urinária (incapacidade de urinar).

O Dr. Guilherme e sua equipe cirúrgica altamente qualificada e experiente trabalham em conjunto há anos, aplicando os mais modernos protocolos. Essa colaboração coordenada visa garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes, oferecendo um atendimento humanizado e personalizado. O Dr. Guilherme se mantém constantemente atualizado, otimizando os resultados cirúrgicos e promovendo uma recuperação mais ágil e melhor qualidade de vida.

Autor: Guilherme Behrend Silva Ribeiro, urologista, CREMERS 31936

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