A varicocele é uma condição comum que afeta os homens, caracterizada pela dilatação anormal das veias dentro do escroto, a bolsa que contém os testículos. É como se fossem varizes, mas em vez de ocorrerem nas pernas, ocorrem no escroto.
O que é a varicocele?
Para entender a varicocele, é importante conhecer um pouco da anatomia do escroto e dos testículos. Os testículos são responsáveis pela produção de espermatozoides e hormônios masculinos, como a testosterona. Eles são irrigados por artérias e drenados por veias, que formam um plexo (rede) chamado plexo pampiniforme. Esse plexo é responsável por resfriar o sangue arterial que chega aos testículos, garantindo a temperatura ideal para a produção de espermatozoides.
Na varicocele, as veias do plexo pampiniforme se dilatam e tornam-se tortuosas, dificultando o retorno do sangue para o coração. Isso causa um acúmulo de sangue nas veias do escroto, aumentando a pressão e a temperatura nos testículos.

Causas
A principal causa da varicocele é o mau funcionamento das válvulas dentro das veias do plexo pampiniforme. Essas válvulas normalmente impedem que o sangue flua para trás, mas quando elas não funcionam corretamente, o sangue se acumula nas veias, causando a dilatação.
A varicocele ocorre quando as válvulas nas veias do escroto não funcionam bem, dificultando o retorno do sangue e causando dilatação das veias.
Fatores que contribuem para o mau funcionamento das válvulas das veias:
- Anatomia: A veia testicular esquerda drena na veia renal esquerda em um ângulo de 90 graus, o que pode aumentar a pressão dentro da veia e dificultar o fluxo sanguíneo. Além disso, a veia testicular esquerda é mais longa que a direita, o que pode aumentar a pressão e dificultar o fluxo.
- Pressão: Aumento da pressão abdominal (obesidade, etc.) ou atividade física intensa podem influenciar.
- Genética: Predisposição familiar pode aumentar o risco.
- Outras condições: Tumores renais ou síndrome de Nutcracker (compressão da veia renal) são causas raras.
A causa exata nem sempre é clara, e geralmente não é culpa do paciente.
Sintomas
Muitos homens com varicocele não apresentam nenhum sintoma. No entanto, alguns podem sentir ou perceber:
– Dor ou desconforto no escroto, que pode piorar ao ficar em pé ou durante atividades físicas. Tipicamente, a dor/desconforto alivia quando deita.
– Inchaço ou sensação de peso no escroto.
– Veias dilatadas e visíveis no escroto, que podem ser comparadas a um “saco de vermes”.
– Diminuição do tamanho do testículo afetado.
– Infertilidade (dificuldade para ter filhos).
É importante ressaltar que nem toda varicocele causa infertilidade, e nem toda infertilidade masculina é causada por varicocele.
Diagnóstico
O diagnóstico da varicocele geralmente é feito durante um exame físico. O médico irá palpar o escroto para verificar a presença de veias dilatadas. Em alguns casos, pode ser necessário realizar um ultrassom do escroto para confirmar o diagnóstico e avaliar o tamanho das veias.
Em casos de suspeita de infertilidade, o espermograma pode ser solicitado para avaliar a qualidade e quantidade dos espermatozoides.
Tratamento
O tratamento da varicocele depende dos sintomas e, principalmente, da repercussão que as veias varicosas estão tendo na saúde do testículo e na fertilidade. Se a varicocele não causa dor e não afeta a saúde do testículo nem causa alterações no espermograma, pode não ser necessário nenhum tratamento.
Cirurgia
Existem diferentes técnicas cirúrgicas para corrigir a varicocele. A escolha da técnica mais adequada depende de vários fatores, como a idade do paciente, o tamanho da varicocele, os sintomas e o desejo de ter filhos.
- Varicocelectomia Microscópica: Atualmente, a varicocelectomia microscópica é considerada o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da varicocele. Nesta técnica, é feita uma pequena incisão na região inguinal (virilha), semelhante à cirurgia aberta tradicional. No entanto, a grande diferença é que o cirurgião utiliza um microscópio cirúrgico de alta resolução para identificar e preservar as estruturas importantes do cordão espermático, como os vasos deferenciais (responsáveis por transportar os espermatozoides), as artérias testiculares (responsáveis pela irrigação dos testículos) e os vasos linfáticos (responsáveis pela drenagem da linfa dos testículos).
O microscópio permite ao cirurgião identificar e ligar seletivamente as veias dilatadas do plexo pampiniforme, preservando as demais estruturas. Isso minimiza o risco de complicações como lesão da artéria testicular (que pode levar à atrofia testicular), lesão dos vasos deferenciais (que pode causar obstrução e infertilidade) e formação de hidrocele (acúmulo de líquido ao redor do testículo).
Benefícios da Varicocelectomia Microscópica:
- Maior taxa de sucesso: A varicocelectomia microscópica apresenta as maiores taxas de sucesso na correção da varicocele e melhora dos parâmetros seminais (qualidade e quantidade dos espermatozoides).
- Menor taxa de recorrência: A técnica microscópica permite identificar e ligar todas as veias dilatadas, reduzindo o risco de a varicocele retornar.
- Menor risco de complicações: A preservação das estruturas importantes do cordão espermático minimiza o risco de complicações como lesão da artéria testicular, lesão dos vasos deferenciais e formação de hidrocele.
- Melhora da fertilidade: A correção da varicocele com a técnica microscópica pode melhorar a produção de espermatozoides e aumentar as chances de gravidez.
- Laparoscopia: É feita através de pequenos furos no abdômen, por onde são introduzidos instrumentos cirúrgicos e uma câmera de vídeo. A laparoscopia pode ser uma opção para alguns casos, mas também apresenta um risco maior de recidiva (retorno da varicocele) e complicações em comparação com a varicocelectomia microscópica.
- Embolização percutânea: É feita através de um cateter inserido em uma veia da perna, que é guiado até as veias do plexo pampiniforme. Uma vez lá, são injetadas substâncias que bloqueiam o fluxo de sangue nas veias dilatadas. A embolização pode ser uma opção menos invasiva, mas apresenta taxas de sucesso menores e um risco maior de recorrência em comparação com a cirurgia.
É fundamental discutir com seu urologista qual a técnica mais adequada para o seu caso, levando em consideração os benefícios e riscos de cada uma.
O Dr. Guilherme e sua equipe cirúrgica altamente qualificada e experiente trabalham em conjunto há anos, aplicando os mais modernos protocolos. Essa colaboração coordenada visa garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes, oferecendo um atendimento humanizado e personalizado. O Dr. Guilherme se mantém constantemente atualizado, otimizando os resultados cirúrgicos e promovendo uma recuperação mais ágil e melhor qualidade de vida.
Autor: Guilherme Behrend Silva Ribeiro, urologista, CREMERS 31936
Referências
European Association of Urology. Patient Information on varicocele. (https://patients.uroweb.org/condition/varicocele)