A cistectomia radical é a remoção cirúrgica da bexiga, sendo o tratamento principal para o câncer de bexiga que invade a camada muscular. A cistectomia radical robótica (CRR) utiliza um sistema cirúrgico assistido por robô para realizar este procedimento complexo com maior precisão e menor invasividade.
O Que É e Como Funciona? A CRR é uma cirurgia minimamente invasiva realizada através de pequenas incisões no abdômen. Instrumentos cirúrgicos e uma câmera 3D de alta definição são inseridos através dessas incisões e manipulados por braços robóticos, controlados pelo cirurgião a partir de um console. Essa tecnologia oferece uma visão tridimensional ampliada e movimentos cirúrgicos extremamente precisos, o que auxilia na preservação de estruturas anatômicas importantes, como os nervos relacionados à função sexual.
Benefícios da Cirurgia Robótica Comparada à cistectomia aberta (ORC) e laparoscópica (LRC), a abordagem robótica apresenta claras vantagens:
- Menor Perda Sanguínea e Necessidade de Transfusão: A RARC (cistectomia radical assistida por robô) está consistentemente associada a uma menor perda sanguínea intraoperatória e menor necessidade de transfusão sanguínea.
- Menor Estadia Hospitalar: Tende a proporcionar uma estadia hospitalar ligeiramente mais curta em relação à ORC.
- Menor Incidência de Complicações: Reduz a incidência de eventos tromboembólicos e complicações de ferida cirúrgica. A robótica também resulta em menos complicações tardias (≥90 dias), tanto menores quanto maiores, em relação à laparoscopia convencional.
- Recuperação Funcional Mais Rápida: Pacientes submetidos à CRR apresentam melhor recuperação funcional e física nas primeiras semanas pós-operatórias, com menor grau de incapacidade e melhor bem-estar físico.
- Resultados Oncológicos: Não há diferença significativa em relação ao controle do câncer, quando comparada à ORC ou LRC.
Etapas Principais da Cirurgia (Resumo) A CRR envolve a remoção da bexiga e, dependendo do caso, de órgãos adjacentes como próstata e vesículas seminais em homens, ou ovários, trompas, útero, cérvix e parte da parede vaginal em mulheres. É realizada também a linfadenectomia pélvica (remoção de gânglios linfáticos). A fase final é a reconstrução, onde uma nova forma de armazenar e eliminar a urina é criada.
Principais Formas de Derivação Urinária Após a remoção da bexiga, uma nova forma de segurar e passar urina é necessária. As opções de derivação urinária, que utilizam um segmento do intestino, são:
- O Conduto Ileal (Urostomia): Derivação urinária mais comum, é feita usando um pequeno pedaço do seu intestino. Este tubo se conecta dos seus rins a uma abertura na sua barriga, chamada estoma. A urina flui pela abertura e se acumula em uma pequena bolsa colocada sobre ela. O paciente precisará aprender a trocar a bolsa de estoma quando ela encher
- A Neobexiga: É uma bolsa feita de um pedaço maior do seu intestino para armazenar urina dentro do seu corpo. Ela é colocada onde sua bexiga original estava. Os ureteres dos rins se conectam a uma ponta dessa bolsa, e a uretra se conecta à outra ponta, assim como sua bexiga original. Ou seja: você continuará fazendo xixi pela uretra. Entretanto, leva tempo para cicatrizar, motivo pelo qual será necessário usar sonda por algumas semanas. Após a retirada, pode ocorrer incontinência (perda) urinária e, também, pode ser necessária a realização de sondagens vesicais de alívio no longo prazo caso o paciente não consiga urinar espontaneamente.
- Redirecionamento dos Ureteres pela Pele: Nesta opção, seus ureteres são movidos para uma nova abertura em sua pele na lateral da sua barriga, permitindo que a urina flua diretamente para uma bolsa. É o tipo mais simples, mas menos comum, geralmente reservado para pacientes com condições médicas complexas.
Pós-Operatório Imediato (No Hospital) Após a cirurgia, o paciente permanece em ambiente hospitalar para recuperação e manejo inicial:
- Recuperação Pós-Anestésica: O paciente é monitorado na sala de recuperação (4-6h) ou CTI (1-2 dias) até que os efeitos da anestesia geral diminuam e sua estabilidade seja assegurada.
- Mobilização Precoce: É incentivado a sentar e caminhar com auxílio da equipe de enfermagem poucas horas após a cirurgia ou no dia seguinte. Essa prática é importante para se manter ativo e contribui para a recuperação mais rápida, característica da cirurgia robótica.
- Alimentação: Uma dieta leve geralmente é iniciada após a recuperação anestésica, progredindo conforme a tolerância do paciente.
- Dor: O controle da dor é feito com analgésicos. É normal sentir dor ou desconforto por algumas semanas após a cirurgia, mas a abordagem robótica tipicamente resulta em menos dor pós-operatória.
- Drenos e Cateteres: É comum o uso de stents ureterais (também conhecidos como Duplo Jotas) para proteger as anastomoses e cateteres para drenagem da urina. No caso da neobexiga, uma sonda vesical é mantido por algumas semanas após a cirurgia para drenagem.
- Tempo de Internação: A estadia hospitalar tende a ser ligeiramente mais curta em comparação com a cirurgia aberta. A alta ocorre quando o paciente está com a dor controlada, se alimentando e movimentando bem, e já tendo movimentações normais do intestino. Para isso ocorrer, o tempo de internação mínimo é 4-5 dias. Entretanto, essa é uma cirurgia que mexe bastante no abdome e, por isso, pode ser necessário um tempo maior de internação.
Pós-Operatório Tardio e Recuperação (Em Casa) Após a alta hospitalar, a fase de recuperação em casa é crucial para a adaptação e o retorno à rotina:
- Retirada de Drenos e Cateteres: Drenos e cateteres residuais são removidos em consultas de acompanhamento, conforme orientação médica.
- Cuidados com a Sonda Vesical (se neobexiga): Após a retirada do cateter, o paciente com neobexiga precisará praticar o esvaziamento da bexiga em intervalos regulares. Inicialmente, pode ser necessário usar absorventes.
- Cuidados com as Feridas e Ostomia (se conduto ileal): As incisões cirúrgicas devem ser mantidas limpas. Para pacientes com conduto ileal, o aprendizado de como cuidar da sua bolsa de estoma é vital, mas relativamente simples.
- Atividade Física: É necessário limitar as atividades físicas mais intensas, embora seja importante se manter ativo com coisas simples como caminhar. Não se deve levantar nada mais pesado que 5 kg. O médico orientará sobre quando é seguro dirigir. A cirurgia robótica facilita um retorno mais precoce às atividades cotidianas.
- Alimentação: A dieta pode ser normal, com ênfase em hidratação e ingestão de fibras para promover o bom funcionamento intestinal.
- Acompanhamento: Consultas de acompanhamento são essenciais para monitorar a adaptação à derivação urinária e para o seguimento oncológico. O acompanhamento geralmente ocorre a cada três a doze meses por até cinco anos, e depois conforme a necessidade.
- Recuperação Funcional (Vida Sexual): A vida sexual pode mudar. Para homens, o pênis pode parecer um pouco mais curto. Para homens e mulheres, ter um estoma pode afetar como você se sente sobre si mesmo e a intimidade.
- Homens: A próstata é geralmente removida, resultando em orgasmo seco (sem sêmen) e risco de disfunção erétil.
- Mulheres: Útero, ovários e parte da vagina podem ser removidos. A maioria da vagina e o clitóris são geralmente preservados, permitindo atividade sexual e orgasmo, mas pode haver mudanças na sensação ou necessidade de lubrificantes.
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Autor: Guilherme Behrend Silva Ribeiro, urologista, CREMERS 31936